Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

domingo, 26 de outubro de 2008

O dia de hoje


Sobre auto-estima, momento presente e felicidade...

Ou "Dinheiro não trás felicidade"...
infelizmente, pois seria mais fácil...


Por Letícia Rothen Sato


Acredito hoje que ser feliz é ser capaz de viver plenamente o momento presente, o que implica: não estar o tempo todo sendo atazanado por lembranças do passado; não ter medo do que vai acontecer logo em seguida ou daqui há algum tempo; conseguir fazer as coisas que estão sendo feitas naquele exato momento de modo atento, sem erros, sem distrações, com concentração; não ficar o tempo todo lembrando daquela ex-colega de trabalho que tanto te magoou e do quanto você foi vitima – ou o contrario, do quanto você a magoou e do quanto ela foi sua vítima; conseguir enxergar a beleza do vermelho, o brilho dos tons de azul do céu, de como é fresca a brisa e do quanto ela nos acaricia, do quanto é maravilhosa a folha de alface com suas nervurinhas tão delicadas…. enfim…. pra mim, isso, entre outras coisas, é ser feliz. Mas aí está um porém que coloca uma certa dificuldade: pra conseguir viver no presente, atento a tudo isso, precisamos estar “confortáveis em nossa própria pele”, como dizia uma ex-chefe minha.

“Confortável em sua própria pele”. Dá pra dizer que o outro nome disso é “boa auto-estima” ou, boa relação, relação afetuosa consigo mesmo. Pois, se você não está confortável dentro daquilo que você é pra você naquele exato momento, o exato momento se torna insuportável de ser vivido. Se as únicas coisas que conseguimos sentir quando estamos parados no presente é uma indefinível angústia, uma vontade louca de fazer algo, de ver televisão, de conversar, de sair e ver um monte de gente…..é porque não estamos confortáveis em nossa própria companhia…

Este “não estar confortável” pode ser uma causa do nosso pavor da solidão. Solidão, comer sozinho, andar sozinho, rir sozinho, chorar sozinho, etc, se tornam coisas muitos difíceis quando a estima por si mesmo é fraca. E como a falta de auto-amor é algo difícil de encarar ou mesmo de aceitar, acabamos atrelando/grudando nossa auto-estima em alguma coisa fora de nós: pessoas, coisas, situações…

Sabe aquela dor insuportável que algumas pessoas sentem quando levam um fora? Aquela dor quase desesperada e capaz de altas humilhações? Ela acontece porque atrelamos nossa auto-estima ao fato da outra pessoa gostar de nós. Ou seja, só se a(s) outra(s) pessoa(s) gosta(m) de nós é que somos pessoas legais. Se me deram um fora, eu não presto!

Há ainda casos de auto-estima atrelada à magreza perfeita e ao corpo de top-model. De onde vocês acham que vem este desespero em ser magro e saradinho a qualquer custo? O carinho por si mesmo está ligado a existência de um corpo idealizado – e inalcançável, diga-se de passagem, porque tudo na vida é passageiro, principalmente nossa forma física.

Preocupações excessivas com o cabelo, com a roupa que vai vestir na semana que vem, com a fama e o status, etc etc, decorrem, no meu entendimento, de uma distorçãozinha psicológica – quero dizer, de acreditarmos que somos merecedores de amor pelo simples fato de termos e parecermos algumas coisinhas….

Só que isso é uma baita de uma armadilha. Pois como já disse, tudo isso é passageiro. Hoje sou jovem e bela, amanhã não mais. Posso perder todo meu dinheiro, ser assaltado, sofrer um acidente, levar uma surra e quebrar o nariz….meu namorado pode se apaixonar por outra, meu casamento pode acabar, posso perder meu emprego…

Desculpe por isso parecer tão duro. Mas é a realidade. Tudo passa, tudo pode mudar….a vida é mudança. Sendo assim, atrelar a auto-estima, o amor a si, a estas coisas externas, é sofrimento na certa!

Mas calma. A felicidade é possível sim. A partir do momento em que aprendermos a olhar para quem realmente somos e a nos aceitarmos, qualquer que seja nossa forma física ou nossos atributos exteriores, seremos capazes de perceber a grandiosidade do momento presente e isso, por si, nos trará felicidade.

Olhar para quem realmente somos implica descobrir se a vida que estamos vivendo, se as escolhas que fazemos são realmente aquelas que queremos fazer. Não é porque minha família toda é “criminosa”, que eu sou uma criminosa. Não é porque meu pai me mandou estudar administração porque isso é uma tradição familiar é porque tenho que fazer isso. Não é porque as mulheres lutaram para entrar no mercado de trabalho, que tenho eu também deixar minha família de lado e lutar pela minha carreira.

Temos que descobrir o que somos no meio de tudo o que nos “mandam” fazer. Quem disse que tenho que ter uma barriga de tanquinho? Quem disse que tenho que fazer mestrado? Quem disse que tenho que deixar de ser servente do colégio? Quem disse que tenho que ser presidente da empresa?

Todo mundo diz muita coisa. A televisão, os vizinhos, os familiares, os amigos. Mas viver a vida que os outros dizem que é a certa, a melhor, a garantida, só pra não entrar em conflito, só pra agradar os que querem ser agradados, só pra conseguir conquistar muitas coisas que logo vão apodrecer, tem um preço bem alto.

Um deles é não ser capaz de viver o momento presente com entrega. De olhar para o céu, igual ao de ontem, com cinco cores diferentes, e não ser capaz de se emocionar. De viver correndo, de um lado pro outro, almoçando com os colegas de trabalho, levando trabalho pra casa e nem perceber que o filho está se envolvendo com drogas. De estar tão estressado e não perceber que a mãe, que você não vê há algumas semanas, logo vai morrer. De não conseguir perceber que seu coração está quase parando por falta de uma alimentação silenciosa e atenta….. Acho que ninguém quer morrer. Ou ser infeliz. Mas parece que as pessoas fazem de tudo pra isso acontecer.

Se ser feliz é viver o momento presente, viver o momento presente só é possível quando conseguimos expressar aquilo que realmente somos. Porque daí, o momento presente se torna recompensador – não precisamos de nada, pois temos tudo, aqui dentro, neste exato momento, neste exato lugar.

Este é um servicinho que ninguém pode fazer por nós. Pois é, tem coisas que não podem ser compradas nem por todo dinheiro ou poder do mundo….só faltava isso agora, pagar alguém para ser nós mesmos em nosso lugar – aposto que tem gente que sonha com isso….

Só você, “sozinhamente”, pode descobrir quem você realmente é e daí desenvolver uma auto-estima legal e consequentemente, viver o presente e a felicidade que ele traz. Pra mim, meditação funciona…. e muito…

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