Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------Heloisa
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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Alcançar a meta

Não mais querendo viver o que lhe estava destinado, Saki, o jovem principe, pediu permissão ao pai para partir em viagem rumo a outras terras.

Tomado de profundo desgosto, mas sabendo que não podia negar tal pedido, o Rei entregou a Saki três presentes: um cavalo, um manto e uma pequena tesoura. Mesmo não compreendendo o motivo do último presente Saki aceitou os três, pois não queria contrariar ainda mais o velho soberano. E partiu.

Atravessou as fronteiras do reino e andou por trilhas desconhecidas. O manto que recebera do pai o protegia do frio da noite, o cavalo levava-o agilmente pelos caminhos. Entretanto, a tesoura para nada lhe servia.

Depois de muito viajar, cruzar aldeias, rios e vales, Saki encontrou-se diante de uma grande montanha e, no meio do bosque que a recobria, distinguiu uma estreita trilha que o conduziria ao seu topo.

Velozmente penetrou por ela. Entretanto, antes de alcançar o primeiro patamar de pedra, a meia altura do trajeto, seu cavalo quebrou a pata e Saki teve de continuar a pé.

Sem desanimar, prosseguiu por aquela estreita trilha. Já não se lembrava do reino que deixara, nem das experiências que vivenciara em sua viagem. Só queria chegar ao alto da montanha e essa meta, sem que ele percebesse, havia tomado toda a sua atenção.

Quando havia percorrido dois terços do trajeto, veio uma forte tempestade, provocando o desmoronamento de uma parte daquela trilha e arremessando para longe o manto que Saki recebera do pai. Sem poder retornar, restava-lhe somente a oportunidade de seguir em frente e, mesmo abatido pelos acontecimentos, continuou seu percurso. Subindo, e chegando ao ponto que lhe parecia final, viu que não se encontrava na parte mais elevada da montanha. Havia um trecho bem mais íngreme a ser escalado, que não podia ser avistado senão daquele elevado plano que conseguira atingir.

Mesmo cansado, prosseguiu.

Nem o frio nem a fome faziam-no recuar. Já a três passos do destino encontrou uma víbora, pronta para atacá-lo, assustando-se, o jovem escorregou e ficou preso pela roupa em uma ponta de pedra. Agora não podia mover-se, e a víbora aproximava-se.

Enquanto a serpente enroscava-se, preparando-se para picá-lo ele se lembrou da pequena tesoura que recebera do pai. Rapidamente cortou a propria veste, libertando-se, e de um salto alcançou o topo da montanha.

Para sua surpresa, encontrou ali uma caverna, de cujo interior emanava uma claridade. Exausto, o jovem resolveu ir em direção àquela luz.

A medida que caminhava, a luz ia se transformando na figura de um sábio ancião que vivera na corte de seu pai. Aproximando-se de Saki, tomou-o pelas mãos e lhe disse:

- Nós vos aguardávamos. Chegastes.


Extraido do livro “ Viagem por Mundos Sutis – Trigueirinho
Editora Pensamento - Págs. 27 a 28

Em http://www.trigueirinho.org.br/textos/php/a_meta.php
Há momentos em que me sinto cansada...

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