Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

domingo, 13 de março de 2011

O jogo de jogar coisas fora

Faz bem livrar-se de tudo que está atulhando a casa, o trabalho e a vida

Texto Ivonete Lucírio
Em
http://bonsfluidos.abril.com.br/edicoes/0138/autoconhecimento/jogo-jogar-coisas-fora-608211.shtml


Uma poesia de Manuel Bandeira, que virou música pelas mãos de Dorival Caymmi, conta a história de um rei que atirava coisas ao mar e pedia para que as sereias fossem buscá-las. Primeiro, foi um anel, que voltou intacto para seus dedos. Depois, foram grãos de arroz, resgatados um a um pelas sereias. Finalmente, ele jogou sua filha, as sereias se fizeram de rogadas, e a princesa morreu nas ondas. Talvez, o medo que temos de jogar coisas fora seja responsabilidade de um rei como esse morando dentro de nossa cabeça: ele jogava, mas queria a coisa de volta. Por fim, seu medo de colocar algo para fora e depois sentir falta realmente se concretizou. .

Mas pense bem: será que você precisa mesmo de tudo o que acumula? Não seria bom se livrar de alguns anéis – desde que ficassem os dedos –, grãos de lembrança e algumas pessoas que não fazem mais parte da sua vida? Muitas vezes, só mantemos algo por não sabermos o que colocar no lugar.

Por que guardamos tanto? .

É fácil enumerar diversos motivos para que alguém sinta dificuldade em se livrar de coisas e sentimentos. “Muitas vezes, guardamos algo de alguém que se foi como uma homenagem, até sermos capazes de realizar nossa despedida interna”, avalia Lana Harari, psicóloga de família de São Paulo. Há, ainda, o desejo de se precaver contra todas as eventualidades que o futuro possa trazer. Vai que ocorra uma enchente e você precise daquela galocha guardada há anos. “Nesse caso, é uma necessidade parecida com a que nos faz carregar uma mala pesada quando viajamos por temermos ficar desprotegidos”, compara Lana. .

Pode ser também insegurança com relação ao futuro, medo de se livrar e não conseguir aquilo novamente, a preguiça de tomar uma decisão (jogo fora ou não o relógio que parou de funcionar?). Seja qual for a explicação para juntarmos coisas e sentimentos, a conclusão é que isso é ruim. Certas vezes, ao contrário de conferir identidade, objetos e pensamentos nos soterram em um monte de lixo e deixamos de ver quem realmente somos.

O primeiro passo para liberar a área é, sem dúvida, estar disposta a isso. Não adianta separar coisas que, em poucos minutos, voltarão para o lugar de origem. Também não vale a pena sofrer demais. Se achar que ainda não é o momento de doar peças de alguém querido que faleceu, espere o momento certo para isso. Ou comece por outro canto, deixando o próprio guarda-roupa mais arejado. Quem sabe não se anima e vai encontrando energia para aquilo que atulha os sentimentos. Jogar coisas fora pede coragem e manda uma mensagem para o mundo: quero me renovar. .



Quando li esse artigo e a lista das coisas que ela jogou fora (97 objetos e sentimentos – quem quiser conferir tem o link lá em cima) pensei em desafiar alguns daqueles que me lêem: quando você se levantar da frente do computador, imediatamente, conseguiria jogar 5 coisas/sentimentos fora?

Eu consegui:
1- uma impressora que não funcionava há uns 2 anos e ficava aqui, do meu lado;
2- uma coruja de porcelana rachada que eu guardava dentro da gaveta (para não se quebrar definitivamente);
3- um vaso de cerâmica todo lascado
4- um arquivo de mensagens antigas de amores antigos (queridos mas não mais amores meus)
5- um medo muito antigo de abandonar meus diplomas e investir naquilo que sempre quis realmente: trabalhar com terapias alternativas.


O que você já está pronto(a) para jogar fora?

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