Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ano passado, em função da Copa do Mundo de Futebol, a escola em que trabalhava produziu uma exposição temática sobre a África. Cada professor escolheu um tema relacionado a sua disciplina para trabalhar com as turmas.

Como lecionava Artes, minha opção foi trabalhar as artes africanas sob a perspectiva da religião tradicional. A partir disso, foi possível abordar costumes, hábitos e variações regionais que mostrassem a religião integrada a vida cotidiana desses povos.

Os resultados foram surpreendentes levando-se em conta que moro numa cidade muito pequena, dominada pela religião católica e sob forte influência das seitas evangélicas. Entre os jovens, a receptividade foi excelente: muito do preconceito que havia se dissipou, a partir do conhecimento da beleza dessa fé, apoiada principalmente no respeito à Natureza.

A partir dos trabalhos produzidos na escola foi montada uma exposição pública, no centro de exposições da cidade. E aí foi possível observar os diferentes olhares que o tema religioso produziu. Enquanto muitos turistas que visitavam a exposição se encantavam com o cenário armado pelos alunos – que reproduzia de forma singela o imaginário que tinham dos cultos tradicionais – os moradores, familiares desses alunos, esboçavam reações que iam do medo ao desprezo. Reações do preconceito, incentivado pela intolerância religiosa que vemos aumentar, a cada dia, estimuladas por certos sermões inflamados de pastores detentores de uma “verdade” única e engessada em sua forma.
Intolerância tão absurda, que levou a que, recentemente, uma família que mudou-se para cá e posicionou-se abertamente como praticante do Candomblé fosse discriminada e seus filhos olhados com desconfiança, tanto pelos vizinhos quanto pela comunidade em geral.

A expressão da Fé deve ser uma opção livre e individual, inclusive garantida por lei.
Nunca vi – ou soube – de um praticante do Candomblé batendo em alguma porta para angariar novos adeptos ou para fazer seu discurso de convencimento. Adere a essa Fé aquele que se identifica com ela; participa do culto aquele que nele reconhece sentido.
Nem mesmo existe um “livro sagrado” que normalize condutas ou dite princípios. Uma das grandes belezas do Candomblé é acreditar na liberdade e no livre arbítrio.

Luto para que o conhecimento desmistifique o discurso do preconceito, e as pessoas possam conviver em harmonia, respeitando suas diferenças e opções – em todos os sentidos.

Heloisa

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