Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------Heloisa
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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Memória nas pedras

Dizia a lenda de uma tribo indígena que o Xamã queria dar uma lição sobre o amor, então escolheu um jovem guerreiro apaixonado, que admirava a distância uma índia.
No dia seguinte, um cavalo selvagem, muito bonito, surgiu nas proximidades da aldeia. Muitos guerreiros cobiçosos tentaram capturar o animal, utilizando cordas, tentando laçar seu pescoço. O jovem guerreiro se aproximou do animal com as mãos limpas e com o som da sua voz, o animal foi ficando mais calmo, e ele pode se aproximar. 
Os guerreiros gritavam para ele colocar algo no pescoço do animal, assim seria seu por direito, mas o jovem se limitou a acariciar o cavalo, deixando-o partir em liberdade; mesmo assim o animal ficou ao seu lado...
No dia seguinte, toda a aldeia acordou com um som horrível, parecia um canto de uma ave. Um lindo pássaro sobrevoava a aldeia, mas o som de seu canto, não tinha ritmo; era um som de agonia. Incomodados, muitos jogaram pedras no pássaro. Ao ver isso, o jovem guerreiro, estendeu a sua mão, onde o pássaro pousou, e da sua boca saiu uma semente, que o estava engasgando. O que se ouviu depois foi uma linda melodia, ritmada, que fazia massagem aos ouvidos mais exigentes. Todos da aldeia ficaram cobiçosos pelo pássaro, agora que ele cantava, mas o jovem levantou um pouco o braço, e a ave levantou vôo.

Na manha seguinte, uma besta medonha se aproximou da aldeia, seus chifres balançavam de um lado ao outro tornando a aproximação muito arriscada. Muitos guerreiros se armaram, queriam matar o animal, para provar a todos a sua bravura, mas antes que a primeira flecha fosse disparada, o jovem já estava se aproximando da besta. Após um movimento rápido, arrancou algo da pata do animal, que ficou dócil como uma ovelha...
O Xamã da aldeia se aproximou e tocou no animal, que rapidamente se transformou em uma moça, a jovem pelo qual o guerreiro era apaixonado.
Se dirigindo a aldeia o Xamã falou:
- Durante três dias testei aldeia e este jovem mostrou a todos o que significa o amor, mesmo sem saber que se tratava da pessoa amada, ele provou isso a vocês. Com o cavalo selvagem, ele ganhou a confiança, não precisando passar uma corda no pescoço para ter o cavalo sempre ao seu lado; com o pássaro, ele ofereceu seu braço amigo, libertando todas as angustias e tudo que estava engasgado naquele pequeno animal, e como recompensa ele teve uma amostra do potencial que a ave possui. E hoje, todos viram a besta enfurecida, mas ele foi o único que enxergou que o animal estava com um espinho na pata e por isso estava tão agressivo. Ele mesmo retirou o espinho, podia ter sido ferido, tentando se aproximar da besta, mas não foi.
Nesse ponto o Xamã olhou para os jovens: o guerreiro havia ajudado a índia a se levantar, e agora ela repousava em seus braços.

O Xamã então transformou os dois em uma pedra, assim ficariam juntos para sempre e todos que olhassem aquela pedra, veriam que o amor é possível, se você quiser...

Antônio Pimenta,

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