Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------Heloisa
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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Adeus, Águas

Faz quase quatro anos que cheguei aqui.
Trazia um caminhão cheio de pertences acumulados e últimas páginas de muitas histórias.
Vinha com o coração transbordando de esperanças, sonhos e vontade de (re)começar.  Passei doze horas andando em muitas estradas; a cada curva me afastando de um passado que ficara pesado demais para suportar.
Saí desse passado ao meio-dia, lavando aquele chão que me acolheu por tanto tempo com as lágrimas de muitas saudades, de muitas lembranças. Aquela casa que nunca protegeu outra família que não a minha, através de gerações, estava naquele momento despida dos pertences que contavam nossa história. Era apenas uma casa vazia, como nunca a tinha visto, e, mesmo assim, ecoavam vozes, sorrisos e lágrimas que por lá passaram.
Cheguei aqui à meia-noite. Uma casa totalmente vazia, cheirando a tinta da pintura recente. Branca. Um futuro por escrever. Dormi no chão, com as gatas ao redor. Pra elas, a única coisa que fazia sentido era a minha presença, o meu cheiro, apenas isso reconheciam como familiar. Apenas elas também me eram familiar.
Foram meses para dar uma identidade a casa. Construía o ambiente e me construía junto. Me descobrindo a cada novo lugar para uma cadeira, uma mesa, um livro, uma planta. Eu e essa casa fomos parceiras de descobertas: cada coisa nova que brotava dentro de mim se traduzia num re-arranjo exterior. Cada árvore, erva ou flor que brotou nesse jardim significou uma nova emoção ou sentimento descoberto, explorado ou resgatado.
Reconstruí a mim e a casa. Agora é uma nova casa, tanto quanto eu sou uma nova pessoa.
Não precisamos mais uma da outra. Estamos prontas para continuar nossos caminhos. A casa abrigando novas gentes; eu, voltando para a minha gente.
As últimas páginas das velhas histórias foram encerradas. É hora de começar outras. Abrir cadernos em branco e ter novamente coragem de juntar os pertences que restaram, os novos que se agregaram e ir em busca de outro lugar para plantar flores. Só que dessa vez quero que as flores sejam colhidas e enfeitem o centro da mesa que reunirá de novo a minha família, os meus velhos amigos.
Vou, mais uma vez, com o coração transbordando, mas dessa vez não mais de esperanças, sonhos e vontade de recomeçar. Meu coração agora vai transbordando de uma paz que aprendi ser mais importante que qualquer outro sentimento. Vou em paz reencontrar meu passado, no futuro que está por vir...
Adeus, Águas. É hora de ir.
Obrigada por tudo, mas me deixe partir...
Heloisa

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