Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ágora ou os limites da fé

Outro dia, zapeando na televisão, assisti trechos da fala de um pastor que dizia que a fé não tem limites. Ontem, depois de assistir ao filme “Ágora”, fiquei pensando sobre isso: os limites da fé.
Morrer ou matar pela “sua verdade” tem sempre dois lados, pelo menos...
Qual seria exatamente o ponto em que a fé deixa de ser uma questão pessoal para se tornar fanatismo e uma questão de ordem pública?
É válida a intromissão religiosa na vida política e cultural?
Minha resposta pessoal já se formou; deixo com vocês essa pergunta.


Ágora era a praça principal das cidades gregas, na Antiguidade. Seu espaço era considerado público por excelência, símbolo da democracia e da liberdade de expressão, no qual ocorriam as discussões políticas e os tribunais populares.


Lançado em 2009, o filme Ágora conta a história da matemática, filósofa e astrônoma egípcia Hipátia de Alexandria. O filme se passa no século IV d.C., na cidade de Alexandria - com uma reconstrução cenográfica primorosa.

Alexandria era uma das cidades mais importantes do Império, um porto para onde convergiam todos os povos e culturas. A cidade comportava os diversos credos existentes, desde o Cristianismo até os cultos considerados pagãos como o egípcio, o grego e o romano, além do Judaísmo. O filme destaca como o choque teológico e o duelo de ideologias acaba por gerar um outro (e maior) problema, ainda hoje tão atual: o fanatismo.

Por ser uma mulher à frente do seu tempo, Hipátia vira alvo do clero cristão, passando a ser perseguida. No aspecto biográfico, o enredo do filme é uma ficção: não se sabe praticamente nada sobre a sua vida e obra. Admiti-se que sua orientação filosófica seria neoplatônica, uma herdeira da grande cultura antiga, religiosa e culturalmente pagã, provavelmente convivendo com práticas mais ou menos mágicas (o que faz com que os cristãos tivessem, tecnicamente, alguma razão para a perseguir e acusar de "bruxaria").

Ágora não é um filme muito divulgado, talvez por mostrar um lado da história cristã que a Igreja deseje que fique esquecido: antes de serem um grupo perseguido pelo Império Romano, os cristãos eram um grupo que perseguia os pagãos, em terras que possuíam liberdade religiosa até então. E com essa perseguição e barbárie incentivada por clérigos fanáticos, séculos de conhecimento e pesquisas foram perdidos, iniciando a verdadeira idade das trevas, que se prolongou por tanto tempo.

Ágora é um filme que faz pensar... 
Em alguns momentos poderia ser transposto para o momento presente e isso foi o que mais me assustou...

Se quiser conferir, faça o download do filme aqui. (até porque não é fácil consegui-lo em locadoras)


Heloisa

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