Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A festa do fogo

As histórias dos orixás são antigas e complexas. Transpostas para o Brasil, baseadas apenas na tradição oral, muitas coisas foram perdidas e outras acabaram por fundir-se, agregando novos significados. 

A “festa do fogo” (Isire Ina Ayra), comemorada no dia 29 de junho em homenagem a Ayrá, é uma delas.

Nos candomblés brasileiros Ayrá acabou associado a Xangô, gerando uma qualidade conhecida como Xangô Airá, que o sincretismo identificou a São Pedro. A festa do fogo fundiu-se, então, às fogueiras juninas.

Nas lendas da mitologia yorubá, Oxalá ficou preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse. Grandes calamidades ocorreram durante esse tempo, atribuídas a essa injustiça. Quando Xangô descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em sua homenagem. Essa festa, hoje, é conhecida como Águas de Oxalá, mas poucas casas a mantém. 

Oxalá estava muito debilitado pelo tempo que passou na prisão, mas desejava retornar ao seu reino, ao encontro de sua esposa Yemanjá. Xangô não podia acompanhá-lo pois precisava colocar em ordem o próprio reino e pediu a Ayrá que fizesse isso em seu lugar. Foi assim que Ayrá tornou-se o companheiro de Oxalá durante a longa viagem de volta.  Durante o dia, eles caminhavam e quando Oxalá se sentia muito fraco, Ayrá o levava no colo. À noite, Oxalá precisava descansar e sentia frio. Para aquecê-lo, Ayrá mandava que acendessem fogueiras no acampamento.

Seja como for, Ayrá é aquele que cuida, que protege durante as travessias. Embora seu ritmo seja lento, seu caminhar é seguro. Ayrá zela pela paz e pela justiça, não medindo esforços para implantar nenhuma das duas.

Que Ayrá, Xangô e São Pedro, que atuam na mesma vibração de justiça, permitam que o mundo - e cada um de nós - encontre a sua paz.
Heloisa

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