Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
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sábado, 11 de junho de 2011

Fogueiras e festas

O ciclo das festas juninas gira em torno de três datas principais: 13 de junho, festa de Santo Antônio; 24 de junho, São João e 29 de junho, São Pedro. É interessante notar que não apenas o dia dos santos, propriamente dito, mas todo o mês é considerado como tempo consagrado e, principalmente, as vésperas, quando se realizam os sortilégios e simpatias, a parte mágica da festa, típica do catolicismo popular.

As festas juninas, tais  como as conhecemos hoje, estão ligadas à religião católica, por se associarem ao culto dos santos juninos. No entanto, as origens da festa nos remetem a tempos muito antigos, antes do Cristianismo se consolidar na Europa. Naquela época, as festas que ocorriam nesse período do ano comemoravam a deusa Juno - mulher de Júpiter - que fazia parte do panteão dos deuses greco-romanos.

Protetora do casamento, do parto e sobretudo da mulher - em todos os aspectos da vida familiar - Juno, na mitologia romana, era a principal deusa e esposa de Júpiter, seu irmão e marido. 

Toda mulher tinha a sua "juno", particular ou familiar, a qual levava oferendas e prestava culto. 

A origem do culto a Juno é apontada como reminiscência dos antigos cultos de fertilidade, quando das mulheres e da terra dependiam a reprodução e a produção agrícola que significavam a continuidade para o grupo. 

Desde os tempos primitivos, as comunidades humanas desenvolveram técnicas de plantio e cultivo de cereais juntamente com rituais de fertilidade. Nos cultos, celebrava-se a fecundidade da terra e confirmava-se a das mulheres, que se preparavam para novas gestações ao término da colheita. Ao pé da fogo, faziam-se oferendas e pedidos aos deuses, para que espantassem os maus espíritos, trouxessem boa colheita e muitos filhos.

Originalmente, o ponto alto dos rituais era o solstício de verão - o dia mais longo do ano no Hemisfério Norte - que acontecia no dia 22 ou 23 de junho. 

Para os povos da Antigüidade, junho era um mês especial, com a chegada do verão e os preparativos para a colheita.  Quando o Cristianismo tornou-se a religião oficial do Ocidente - adotado pelo Império Romano no século IV - as principais celebrações pagãs foram sendo incorporadas ao calendário das festas católicas.

No século VI, a Igreja Católica reservou o dia 24 de junho para comemorar o nascimento de São João Batista, que, segundo a Bíblia, batizou Jesus Cristo. No século XIII, foram acrescentados São Pedro (dia 29 de junho) e Santo Antônio (dia 13 de junho). 

Aos poucos, os cristãos foram criando novas versões para os mitos a fim de explicar as práticas anteriores, pagãs - um exemplo é o simbolismo da fogueira. A motivação inicial de reunião da aldeia para celebrar a fertilidade, agradecer aos deuses e pedir proteção contra maus espíritos, foi substituída pela versão católica de que a primeira fogueira acesa nessa data teria sido na cidade de Jerusalém, onde viviam as primas Maria e Isabel. Isabel, no final da gravidez de seu filho João, combinara com Maria enviar um sinal após o parto. Esse sinal seria acender  uma fogueira em frente a sua casa. A partir daí, o dia 24 de junho ficaria marcado pelas fogueiras em homenagem ao nascimento de São João.

Para diferenciar, definitivamente, as festas pagãs de Juno da festa católica de João, a Igreja passou a chamá-las "joaninas". Com o tempo, as festas joaninas, realizadas em junho, acabaram sendo mais conhecidas como "juninas".
Heloisa

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