Por muito tempo esse espaço esteve parado...
Foi criado para percorrer um determinado caminho mas acabou esquecido e abandonado na primeira curva.
Que esse caminho floresça, ainda que não siga
exatamente o traçado original.
Seja nosso (a) companheiro(a) nessa jornada, se assim o desejar.

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O reflexo das nossas buscas, encontros e desencontros pelos caminhos da Vida.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Antônio

Você já ouviu falar de Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo? 
Não? Mas Santo Antônio você conhece!

Santo Antônio nasceu em Lisboa, por volta do ano de 1195. Em 1210, pediu ingresso no Mosteiro de São Vicente de Fora, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Em 1220, transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores, com o nome de Antônio (Santo Antão, em latim Antonius, padroeiro do convento dos frades de Coimbra, onde ingressou), influenciado pelo trabalho que São Francisco de Assis - eram contemporâneos - vinha desenvolvendo nessa ordem. Em 1222, foi ordenado sacerdote, se revelando um grande pregador contra as injustiças e as desordens sociais, a exploração dos pobres e a má vida de certos setores do clero. 

Sua fama de pregador e milagroso era tanta que, dez meses após sua morte - que segundo o Livro dos Milagres ocorreu no dia 13 de junho, em Pádua, de problemas decorrentes de asma e diabetes, quando contava 36 anos de idade - foi canonizado e  recebeu o título de Doutor da Igreja. Sua sepultura, na Basílica de seu nome, em Pádua, é um centro de peregrinações.

A imagem de Santo Antônio, que Portugal transpôs para o Brasil, é a do protetor dos pobres e necessitados, daquele que socorre as vítimas de injustiças e está sempre ao lado dos mais humildes. Mas há também um lado guerreiro do santo, que tornava a evocação do seu nome arma contra os perigos do combate. No Brasil, seu papel de militar foi importante também dadas as inúmeras guerras e revoltas durante as quais era invocado. E tanto fez ao lado das forças armadas brasileiras que recebeu patente e mesmo soldo, em várias companhias do exército brasileiro. Recebeu ainda, por esta razão, o apoio dos militares com dinheiro e prestígio, às suas igrejas, obras e festas.
É incontável o número de homenagens a Santo Antônio como igrejas construídas em seu louvor, nomes de ruas, praças, pessoas etc., na história e geografia brasileiras. A sua devoção chegou juntamente com os Franciscanos e trazia duas formas de invocação: para uns era Santo Antônio de Lisboa, em referência ao local onde nasceu; para outros era Santo Antônio de Pádua, referindo-se ao lugar onde morreu e foi sepultado.

No entanto, ficou mais conhecido como santo casamenteiro, porque diz a lenda - que envolve partes de sua vida - que, quando ainda era um estudante no mosteiro em Portugal, protegia as moças pobres que não tinham dinheiro para o dote. Saía à rua pedindo esmolas, que eram dadas às famílias dessas moças e se convertiam no dote, que lhes garantiria o casamento.

Segundo Gilberto Freire, a escassez de portugueses na colônia, sublinhou o valor do casamento ou mesmo da procriação (com ou sem o casamento), o que tornou populares os santos padroeiros do amor, da fertilidade e das uniões. Assim, os grandes santos nacionais tornaram-se, à época, aqueles aos quais a imaginação popular atribuía milagrosa intervenção capaz de aproximar os sexos, fecundar mulheres, proteger a maternidade, como Santo Antônio, São João e São Pedro.

A crença de que Santo Antônio se “devidamente” invocado, perturbado com pedidos de todo tipo e até mesmo “torturado”, arranja casamento, mesmo para a mais sem graça das moças, é muito difundida e é a qualidade mais prezada do santo durante as festas juninas. São João também já teve estas funções, e também São Gonçalo (que continua sendo invocado com esta finalidade, no interior do Brasil, principalmente por mulheres mais velhas, solteiras ou viúvas). 

 Se milagres desejais
Contra os males e o demônio
Recorrei a Santo Antônio
E não falhareis jamais.


 Heloisa

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